Ciencia y crianza
Quando o herói da história tem o nome do seu filho: o que diz mesmo a ciência
Por Astrid Barrie
Há um momento que qualquer mãe ou pai que tenha experimentado uma história personalizada reconhece de imediato: a cara da criança quando descobre que o protagonista se chama como ela. Os olhos que se arregalam, o "sou eu!", o pedido imediato para recomeçar da primeira página. É um efeito tão impressionante que vale a pena fazer a pergunta a sério: é apenas um truque simpático ou há algo mais por trás?
A boa notícia é que existe investigação a sério sobre livros personalizados. A notícia completa — e aqui queremos ser honestos — é que a ciência diz duas coisas: que a personalização funciona, e que nem toda a personalização funciona da mesma maneira.
Aprendem mais palavras com o "seu" livro
Comecemos pela descoberta mais sólida. Em 2014, os investigadores Natalia Kucirkova, David Messer e Kieron Sheehy publicaram na revista First Language um estudo que comparou livros personalizados com livros não personalizados na aquisição de vocabulário. O resultado: as crianças aprendiam melhor as palavras novas quando estas apareciam num livro personalizado do que quando apareciam num livro convencional.
Faz sentido se o pensarmos de dentro da cabeça de uma criança de três ou quatro anos. A atenção é um recurso limitado e vai para onde há relevância pessoal. Quando a história é sobre ela — sobre o seu nome, o seu mundo —, a criança não está simplesmente a ouvir: está envolvida. E uma palavra nova que chega num momento de envolvimento tem muito mais hipóteses de ficar.
Mais risos, mais conversa: a leitura muda de textura
A segunda descoberta é talvez a que melhor explica o que se vê à vista desarmada. Num estudo anterior, publicado em 2013 no Journal of Early Childhood Literacy, Kucirkova e a sua equipa observaram sessões de leitura partilhada entre mães e filhos, comparando livros personalizados com livros normais. Com os livros personalizados registaram significativamente mais sorrisos, mais risos e mais fala espontânea durante a leitura.
Este último ponto merece ser sublinhado: fala espontânea. A criança não se limita a ouvir; comenta, pergunta, ri-se, aponta, liga a história à sua vida. E, como vimos na investigação sobre leitura dialógica, essa conversa à volta da história é precisamente onde acontece boa parte do benefício linguístico de ler juntos. O livro personalizado não substitui a interação: provoca-a.
Para as famílias, isto tem uma consequência muito prática. Se o seu filho é daqueles que se distraem à segunda página, uma história em que ele é o herói pode ser a porta de entrada para o hábito da leitura. Não porque o livro tenha magia, mas porque dá à criança a razão mais poderosa que existe para prestar atenção: a história fala dela.
A ressalva honesta: pôr o nome não chega
E aqui chega a parte que quase nenhum vendedor de histórias personalizadas lhe vai contar, mas que nós preferimos pôr em cima da mesa.
Em 2021, Kruse, Faller e Read publicaram um estudo que pôs à prova a personalização "só de nome": histórias em que a única coisa que mudava era o protagonista chamar-se como a criança. Queriam ver se essa personalização nominal melhorava o comportamento pró-social das crianças e a compreensão da moral da história. O resultado foi claro: não chegou. Mudar apenas o nome não produziu melhorias nem no comportamento pró-social nem na compreensão da mensagem da história.
Isto contradiz os estudos anteriores? Não: complementa-os. O que o conjunto da investigação desenha é isto:
- A personalização aumenta o envolvimento da criança: mais atenção, mais emoção, mais conversa, melhor aprendizagem de vocabulário.
- Mas, se o que procura é que a história ensine alguma coisa — um valor, uma moral, uma forma de comportamento —, a personalização tem de ser profunda, não cosmética. A criança precisa de se reconhecer verdadeiramente na personagem, não apenas de ver o seu nome impresso.
Dito de outra forma: um "Hugo" colado sobre um protagonista genérico é um enfeite. Um protagonista que se parece com o Hugo, que é curioso e um bocadinho teimoso como o Hugo, que vive aventuras num mundo que fascina o Hugo e enfrenta os medos que o Hugo tem de verdade… isso é outra coisa. Aí, a criança não lê sobre alguém com o seu nome: vê-se a si própria a ensaiar como ser corajosa, generosa ou paciente.
Como aproveitar isto em casa
Com ou sem livros personalizados, a investigação deixa pistas úteis para qualquer família:
- Use a relevância pessoal a seu favor. Mesmo que o livro seja normal, pode personalizar a leitura: "e tu, o que terias feito?", "este dragão parece o cão da avó, não parece?".
- Se comprar ou criar histórias personalizadas, olhe para lá do nome. Pergunte-se se a personagem se parece com o seu filho, se o cenário lhe diz alguma coisa, se o conflito da história liga com o momento que ele está a viver (os ciúmes do irmão mais novo, o medo do escuro, começar a escola).
- Aproveite o pico de envolvimento para conversar. Os estudos mostram que, com estes livros, a criança fala mais durante a leitura: siga esse fio, não o corte só para acabar mais cedo.
Personalizar a sério, não de autocolante
Na imagins levamos muito a sério a diferença entre as duas personalizações, porque a ciência é clara quanto a isso. Por isso, as histórias não se limitam a inserir um nome: é você quem define como é o seu filho fisicamente (e as ilustrações mantêm-no consistente página após página), como é a personalidade dele, em que cenário decorre a aventura e que valor quer que a história trabalhe. O resultado é um protagonista em que a criança se reconhece de verdade, que é onde a investigação situa o benefício.
Quando o herói da história não tem apenas o nome do seu filho, mas é o seu filho — com os caracóis dele, o gato dele e o medo que ele tem das trovoadas —, a leitura deixa de ser um bocadinho a ouvir histórias alheias e torna-se algo mais poderoso: um espelho onde ensaiar quem quer ser.